segunda-feira, 17 de outubro de 2011

"Mulheres dando à luz, se forem deixadas em paz, elas sabem exatamente o que fazer" (Naoli Vinaver)

Meu trabalho mais recente de doulagem me fez entender perfeitamente essa frase da parteira Naoli Vinaver, por isso, começo o meu post com ela. Eu sempre acredito na capacidade das mulheres que buscam o meu auxílio, mas é preciso que elas acreditem nelas mesmas para que o parto aconteça como desejam. A mulher que acompanhei teve um incício de trabalho de parto espontâneo, no dia e hora determinados por ela e fomos para a maternidade com melhor referência de humanização em nossa região. Chegando na maternidade, percebi que ela estava desconfortável e não encontrava o ritmo certo, ainda não estava em sintonia com o seu corpo. Tentei algumas técnicas, mas ela ainda não se sentia segura ou confortável. Depois de algum tempo, ela foi utilizando a respiração e foi mergulhando num mundo só seu. De olhos fechados, e deitada de lado na cama, ela conseguiu uma sintonia perfeita com o seu bebê. Ficou mergulhada nesse universo por um tempo, então levantou-se pronta para parir. Foi examinada pela enfermeira que verificou um avanço na dilatação. Ela já apresentava alguns puxos espontâneos. Depois que foi para a água, não havia mais ninguém  presente em seu universo, nós só percebíamos o quanto ela buscava a melhor posição, o seu lugar. Como uma perfeita mamífera, encontrando o melhor lugar para parir seu filho. E assim ela ficou nesse transe, com a ajuda do rebozzo com lençóis, ela foi encontrando o seu som, foi localizando os puxos, foi entendendo o que seu corpo desejava e escutando o seu bebê. É incrível como nós todas que estávamos presentes não fizemos nada, absolutamente nada. Apenas nos deixamos ficar por ali  observando alguém que se tornava dona de seu corpo, mestra de seu parto. Ela empurrou quando desejou, tocou a cabeça de sua filha ainda no canal de parto e decidiu que a posição e os puxos ainda não eram os certos. Virou, mexeu, sentiu-se mais segura. Quando o bebê começou a nascer, ela ainda mudou mais uma vez de poisção, e depois disse que sentiu que precisava mudar. O corpo pedia e ela se movia de acordo com sua natureza, com suas raízes de fêmea. Foi um nascimento lindo, sem nenhuma intevenção. Assim que o bebê saiu, ela a pegou e ficaram ali, mãe e filha, donas de si, de suas vidas e de seu futuro. Toda mulher sabe o que fazer, é só deixá-las em paz

4 comentários:

  1. Sou eu!!!!! :)
    Preciso arrumar um tempo para refletir e escrever sobre a experiência, que foi no minimo, magnifica...
    Obrigada, Cris!

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  2. Lindo relato...como é mágico esse momento, sentimos que somos fortes....não não fortes não..que somos invensíveis.
    Seguir o instinto é o que nos torna realizada. Parabéns por mais uma mulher feliz (de verdade, de corpo e alma).
    Feliz porque tem seu bebê nos braçõs, mas tb porque seguiu seu corpo e sua alma.
    Bjos Isabela

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  3. Lindo relato Cris, obrigada por ter aparecido em nossas vidas!!!!
    Cada vez que leio sobre esse parto, revivo todos os momentos passados e sinto como foi importante em nossas vidas esse nascimento, me sinto renascida tambem....

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