quarta-feira, 6 de março de 2013

Realidade e sonho possível.

Muito tem se falado a respeito de humanização, doulas, parto em casa, redução do número de cesáreas... Mas o que realmente acontece por aqui? Nos grupos, encontramos casais, e até famílias porque avós também estão presentes aos encontros, todos preocupados em mudar a realidade. O que temos descoberto a respeito da nossa cidade, é que as dificuldades são imensas. As mulheres, querem sim o parto natural, mas  os médicos sempre afirmam que ainda é cedo para falar sobre o assunto, ou que elas não vão aguentar a dor, ou ainda, que o parto acontecerá se tudo continuar assim até o final, e blá, blá, blá. Quando o parto acontece, geralmente, não é uma parto natural, mas um acontecimento cheio de intervenções desnecessárias, onde o protagonista é sempre o médico.Tenho ficado admirada com os resultados do grupo, elas estão conseguindo parir, mas não do jeito que desejavam, e isso, muitas vezes causa frustração e angústia. Depois de muito empenho e luta e de conseguir o parto chamado de normal por aqui, vem a batalha seguinte, amamentar o bebê. Quem disse que é fácil? Dificuldades já conhecidas a parte, vem o maior inimigo do aleitamento, os pediatras, que diante da primeira dificuldade da recém mãe, indicam uma fórmula artificial e pesam os bebês sistematicamente para avaliar se a "mãezinha", que foi capaz de parir, será capaz de nutrir o seu bebê. Aos trancos e barrancos, elas conseguem finalmente consolidar a amamentação. E assim vão caminhando realizadas até quando os bebês estão com mais ou menos oito meses, então é hora dos pediatras entrarem em ação e aconselharem o desmame, uma vez que a criança já pode ingerir outros alimentos bem melhores, e a mãe pode evitar de ficar acordando a noite. Outra batalha então é travada, a maioria da sociedade dessa vez, está ao lado do pediatra, e as mães não se cansam de ouvir aquelas famosas expressões: "nossa, tão grande a ainda mama no peito?". A cada dia eu me pergunto quando foi que deixamos que tudo isso acontecesse. Como foi que chegamos ao ponto de delegar a nossa natureza instintiva a outros seres humanos que se acham maiores conhecedores dos nossos corpos e dos nossos instintos. Hoje o número de casais e famílias que buscam os grupos de parto e pós-parto, cresce de maneira a provocar um certo orgulho. Orgulhos destas pessoas que não se conformam em manter a atitude pacífica de se deixar levar, mas saem de sua zona de conforto e tentam provocar uma reação na sociedade. "Fé na vida, fé no homem, fé no que virá..."

3 comentários:

Luiza Paim disse...

E um dia nossos filhos irão ver toda essa luta como o início da sociedade respeitosa que estarão vivendo! Seremos história.

Pequenos Mimos disse...

triste realidade, ainda bem que tem o grupo para ajudar as famílias e darem os uporte necessário, parabéns ao trabalho com excelência que vcs fazem.!
bjs

Gi do Prado disse...

Estamos no meio da guerra e cada batalha vencida é um passo na coinscientização dessas mulheres, caladas, amordaçadas, paralisadas por essa sociedade machista, patriarcal.
Temos um grande e lindo trabalho pela frente!
Sou feliz por fazer parte dessa tribo de guerreiras!