quarta-feira, 29 de janeiro de 2014

Relato do nascimento de Alice, filha de Paula e Erick

Segunda-feira, 27 de janeiro de 2014. Alice está com 3 semanas e 3 dias (dormindo).

"O nascimento da minha filha significava pra mim o início de uma nova fase, mas acima de tudo, uma grande vitória. Em menos de um ano perdi 2 bebês e passei por 2 curetagens. Foi uma fase difícil onde me perguntei inúmeras vezes se eu seria capaz de gerar e parir um bebê.

Quando fiquei grávida da Alice, passei os 3 primeiros meses com medo de reviver mais uma perda. Passei os 3 meses seguintes na cama: placenta com implantação baixa, sangramento e descolamento de mais de 50%. Passei os 3 últimos meses feliz da vida, curtindo muito meu barrigão e meus vestidinhos de grávida!




Sempre quis ter um parto natural domiciliar, mas visto todo o “histórico”, optamos pelo parto natural em uma maternidade (na Casa de Saúde de São Carlos). Assim que sai do repouso absoluto comecei a me preparar para esse parto tão esperado: li e estudei muito, freqüentei as reuniões do Grupo Nascer Naturalmente, escolhi uma doula e fiz aulas de pilates e yoga. Estava tranqüila, segura e pronta para a chegada da minha filha.


Durante a 38ª e 39ª semana de gravidez tive contrações regulares, de 15 em 15 minutos, mas o trabalho de parto não engrenava. Engrenou mesmo no dia 02/01/14, dia em que completei 40 semanas! Nesse dia inclusive, tive consulta de pré-natal com meu GO de Araraquara: ele disse que a bebê estava ótima, placenta e liquido ok. Não deixei que ele fizesse exame de toque, pois achei desnecessário. Passei o dia todo bem tranqüila: de manhã fui à piscina, durante a tarde fui à manicure e a noite fui a um rodízio de comida japonesa com meu marido e meus sogros. Em torno das 22h, estávamos fazendo nosso pedido no restaurante, quando senti uma contração, daquelas de suar e perder o fôlego; segundos depois senti um liquido quente escorrer nas pernas...Putz, no tatame do restaurante!! Naquele momento soube que a hora tinha chegado!

Cancelamos o pedido e indo para o estacionamento do restaurante eu ouvia as pessoas comentarem “a bolsa dela estourou”. Entrei no carro e liguei pra Cris, minha doula. Ela me pediu para ir pra casa, comer, tomar banho e dormir...Como eu conseguiria dormir?? No caminho para casa, mandei uma mensagem para avisar minha família que minha bolsa tinha estourado.

Chegando em casa, meu marido preparou um espaguete com queijinho ralado e enquanto isso tomei um banho quentinho. Eu não tinha fome, mas comi uma pratada enorme, pois sabia que precisaria de muita energia. Bebi água, muita água. Depois do banho não havia duvida: as contrações chegaram de 8 em 8 e foram apertando. Estava perdendo um liquido rosadinho, com umas “gosminhas” brancas.

Eu e meu marido estávamos sozinhos em casa com nossa cachorrinha Madi. Ficamos na nossa cama assistindo TV e ele anotava num papelzinho o horário de cada contração. Conversei um pouco com minha família por mensagem de texto, arrumei as ultimas coisas na nossa mala, deixei um bilhetinho para a faxineira que viria no dia seguinte. Depois, me desconectei de tudo para ficar concentrada no trabalho de parto. Me entreguei. Ainda não sentia necessidade de chamar a Cris, estava gostando de ficar sozinha e curtir esse momento com o Erick.

Quando a dor ficou mais forte, contrações de 4 em 4, preferi ficar sentadinha na privada. Era a melhor posição para ficar com as pernas abertas e jogar meu corpo para trás. Pedi uma bacia pro meu marido e vomitei 3 vezes por causa da dor. O Erick ficou de pé do meu lado O TEMPO TODO fazendo carinho enquanto as contrações iam e vinham. Já em torno de 3h da manhã, pedi para ele chamar a Cris.

Não sei que horas a Cris chegou em casa com a fotógrafa Mari Zago (Luz e Poesia Fotografia). Lembro que ela me colocou no chuveiro e me deu um chocolatinho pra comer. Disse que eu precisava relaxar pra pegar a estrada (são 40 km entre Araraquara e São Carlos).

Depois do banho, fomos para o carro. Agora eu estava com medo de não chegar a tempo na maternidade. O Erick foi dirigindo, nossa cachorrinha Madi foi no banco do passageiro e eu fui no banco de trás com a Cris. A Mari Zago foi seguindo a gente no carro dela. Durante a viagem, lembro de pedir para o Erick avisar minha mãe que estávamos indo para a maternidade. Pedi que ela nos esperasse na porta para pegar a Madi e levar pra casa dela (meus pais moram em São Carlos). Pedi também para que ele ligasse pra nossa amiga Juliana, que levaria mais tarde os meus sogros pra São Carlos no carro dela. Lembro também que a Cris ligou pra maternidade e avisou que estava chegando comigo, pediu para que deixassem o quarto pronto.

A viagem não me pareceu longa. Eu estava bem concentrada, de olhos fechados e segurando a mão da Cris. A dor era forte, mas a emoção era bem maior! As janelas estavam abertas e aquele vento no rosto era uma delícia. Quando chegamos na maternidade, vi minha mãe e o marido dela prontos para pegar a Madi. Minha mãe me pareceu um pouco assustada, lembro que ela meu deu um beijo e depois evitei cruzar olhares com ela.

Meu marido foi fazer nosso cadastro na recepção e eu fui com a doula e a enfermeira Mariana em direção ao elevador. Esperamos muito tempo (me pareceu uma eternidade!) e nos disseram que o elevador estava com um problema e teríamos que subir os 3 andares a pé. Não lembro quanto tempo demorei, mas subi, quase de quatro, os 3 lances de escada.

Chegando no quarto PPP, fui direto pro banheiro, onde vomitei pela 4ª vez. Enquanto preparavam a banheira, me colocaram no chuveiro, sentada num banquinho e a enfermeira pediu licença para fazer o exame de toque. Eu autorizei, foi o primeiro e único. O Erick ficou segurando minha mão. Olhei para a enfermeira e ela abriu um sorrisão dizendo: “Você está com dilatação total, estou sentindo o cabelinho da sua filha”. Geeente, eu já estava com 10 cm de dilatação!! E minha filha era cabeludinha!!

Entrei na banheira tão feliz! A água estava quentinha, o Erick ficou do meu lado, me ofereceu água fresca, fez carinho, segurou minha mão. A Cris colocou um CD “Musicas para parir” e no intervalo das contrações lembro de apreciar as musicas. Ela e a Mariana estavam debruçadas na frente da banheira, coitadas, lembro de ter ficado preocupada se elas estavam bem instaladas. Não vi a Mari Zago, mas vi as fotos do parto... então, ela deveria estar bem escondidinha em algum lugar daquele quarto.

Depois de um tempo o Erick entrou na água comigo. Eu não lembro de muita coisa, somente flashs, sinto como se eu estivesse em transe. Só pensava que minha filha estava chegando e imaginava ela descendo em direção à luz, imaginava caminhos que se abriam, bem iluminados. Tentava sentir meu corpo, escutar meus instintos. Sentia que minha filha queria sair, sentia a cabecinha dela empurrando. Imaginava “nossa, isso deve ser o tal do circulo de fogo”.

Alguém veio me dizer que minha irmã estava la fora, se eu gostaria que ela entrasse. Eu disse que gostaria de ficar sozinha com meu marido, mas que depois poderiam liberar a entrada para a família. Lembro de ver a pediatra entrando no quarto, era a única médica presente no parto. Lembro de ter pedido Paracetamol para melhorar minha dor (!!) e ter dado risada de mim mesma.

Logo senti muita vontade de fazer força, forcei, gritei e ouvi meu marido dizendo “c’est bon, elle est là!”. Ela estava nadando na água, alguém pegou minha filha pra colocar no meu colo, com um paninho para aquecê-la. Pouco depois ouvi minha irmã chorando, tinham acabado de abrir a porta para nossos familiares. Eu estava nas nuvens, minha filha estava nos meus braços e o cordão ainda estava pulsando. Esperaram o cordão parar de pulsar e a perguntaram para meu marido se ela gostaria de cortá-lo. Ele aceitou. Contamos para todos que nossa bebê se chamaria Alice, pois até então, ninguém sabia o nome dela!


Depois lembro de pegarem a Alice para limpa-la e colocar a roupinha, vi quando a pesaram: 3,045kg. Lembro de ter achado esse numero “bonito”. Enquanto isso fui até a cama para dar a luz à placenta. Saiu super fácil em alguns segundos e nem doeu! Nessa hora, aplicaram também uma injeção de ocitocina na minha coxa, para parar a hemorragia e me deram uns pontinhos, pois tive uma pequena laceração.

Fui transferida para um outro quarto, onde tomei banho, amamentei e esperei a família toda chegar para festejar a Alice. Uma delícia! Um sonho perfeito realizado e uma resposta à minha pergunta: SIM! Eu fui capaz de gerar e parir minha filha, da maneira mais linda e carinhosa! Ela chegou saudável, pronta e cheia de amor. Obrigada meu amor Erick e minha filha Alice por me fazerem tão feliz e realizada!!

PS: sempre li relatos de parto super longos e pensava: o meu vai ser curtinho...hahaha não foi dessa vez!"

4 comentários:

Claspe disse...

Lindo, lindo, lindo! Que relato emocionante...parabéns Paula e Erick! Bem-vinda linda Alice. Um grande beijo, Clariana.

Luiza Paim disse...

Queremos sua história também, Clari!!! Saudades de vcs... bjo, Lu

Anônimo disse...

Ai, Paula! Amei! Sabia que iria dar tudo certo! Muitas felicidades para vocês, queridos! Beijão, Lilian Lima

fer disse...

Que relato lindo e inspirador...Deus abençõe a família. Espero que o meu bebê nasça assim, cercado de amor. (Fernanda- 29 semanas de gestação)